Aprendendo a Surfar na Tecnologia

1.994 foi o ano em que comecei a trabalhar com computador. Era um 486DX-4 100 MHz. Compramos também uma impressora HP Deskjet 560-C: jato de tinta, colorida! O monitor também era colorido! (Os monitores da época eram quase todos naquela cor “fósforo verde”). E um scanner de mesa. O monitor e o scanner, sinceramente não me recordo modelo ou marca. Mas me lembro bem que esse quarteto era o que se diz em Inglês, “state-of-the-art”. Agradeço a grande oportunidade que tive de começar, aprendendo do zero, com um equipamento de última geração. Mais ou menos como aprender a dirigir, dirigindo uma Ferrari. A sensação era uma mistura de euforia e medo. Acho que mais medo do que euforia. Era uma coisa completamente nova. E eu tinha 34 anos. Ou seja: somente aos 34 anos de idade (!!) é que a tecnologia entrou definitivamente em minha vida.

Aqui quando falo vida, refiro-me apenas à vida profissional, pois na vida pessoal a tecnologia ainda não estava presente. A internet no Brasil começa a engatinhar em 1995. O primeiro telefone móvel que tive acho que foi em 96: aquele Motorola que parecia um tijolo. Se caísse no pé, poderia até quebrar um dedo. Tudo ainda era mais manual. Papel. Tinta. Telefone fixo. Lista telefônica. Páginas amarelas para os anúncios comerciais.

A vida pessoal era manual; a profissional estava entrando na era digital, sem ter ideia do tamanho e da velocidade da revolução que estava começando. Eu surfava uma onda gigante. Sem salva-vidas. O que gerava muita adrenalina, especialmente quando o computador … simplesmente … travava. Lembro de certa vez, havia concluído um anúncio. Eu era redator publicitário, se ainda não disse. E o 486 travou. Nada acontecia. E eu não sabia o que fazer. A única solução era telefonar, com o telefone fixo, para a meiga japonesinha (perdoe-me mas esqueci o nome dela…) que nos dava suporte técnico. E ela me disse com a maior tranquilidade do mundo: “Flavinho, faz assim: desligue o monitor e o desktop.” Eu obedeci, tenso. “Ok. Desligados.” Ela continuou: “Desligue também da tomada.” E eu: “Ok. Desconectei o plug da parede.” Com uma voz ainda mais tranquila ela perguntou: “Tem algum lugar aí perto que você possa tomar um suco de laranja?”

Aí eu não aguentei e respondi: “Pô, você tá de sacanagem comigo! Tô aqui desesperado. E você quer que eu vá tomar suco?” Ela, zen, esclarece: “Faz parte da solução desse problema. O 486 trava quando a placa esquenta muito. Então você vai ter que esperar uns 15 a 20 minutos a placa esfriar. Vai tomar um suco. Relaxe. Quando voltar, ligue tudo novamente, você vai ver que tudo voltará ao normal.” Fui tomar o suco, mas confesso que não acreditei muito naquela história. Quando voltei, liguei tudo, e … tchan! O anúncio que eu havia criado estava salvo, pulando na tela do monitor quando dei o duplo clique no mouse.

Era uma aventura. Uma viagem sem roteiro definido. Mas sempre gostei de enfrentar desafios. O novo sempre me atraiu. Quando percebi, meu novo mundo era praticamente todo digital. E eu estava, aos 40 anos, aprendendo uma nova profissão: contador. O escritório fundado por meu pai em 1955 agora era meu negócio também. E mais uma vez agradeço, pois sinto que continuo a “dirigir uma Ferrari”, por fazer parte da FLÁVIO BUZANELI SERVIÇOS CONTÁBEIS, convivendo com pessoas que me fazem ser melhor a cada dia, vivendo essa gigantesca mudança de paradigma, e com a certeza que a tecnologia já faz parte do nosso DNA.


Flávio Buzaneli Júnior é administrador de empresas, advogado e contador. Atuou 12 anos como publicitário. É pós-graduado em Marketing pela ESPM. Desde 2.000 trabalha na Flávio Buzaneli Serviços Contábeis.

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